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terça-feira, fevereiro 15, 2011

Quanto tempo demora para terminarem as experiências?

Por Ricardo F. dos Passos


A primeira parte do campeonato carioca chegou ao fim.

Após a vitória do Fluminense sobre o Madureira, somado ao tropeço do Botafogo, o Tricolor das Laranjeiras se classifica em primeiro no seu grupo.

A primeira fase serviu como laboratório para Muricy Ramalho, especialmente na última rodada.

Os erros do conturbado Andre Luis e a insegurança de Gum e Eusébio fizeram da defesa o ponto chave das experiências. 

Muricy escalou Digão na vaga de Andre, cujas características do jovem zagueiro pairam sobre uma boa reposição de bola e mais velocidade do que o companheiro.

Escalou também Ricardo Berna, titular do título no ano anterior, o qual demonstrou confiança e boa forma física. 

Com ele em campo os jogadores parecem menos afoito, seja pelo entrosamento ou segurança fornecida pelo jovem goleiro, nesses seis anos na Rua Álvaro Chaves. 

Assim, Berna, Gum e Digão formaram a base da defesa. Mariano lançava-se ao ataque, com ótimo faro ofensivo, contudo com os corriqueiros erros em cruzamentos e passes longos.

Julio Cesar nem pareceu pisar nos gramados. 

O lateral esquerdo, que entrou na vaga de Carlinhos, poupado, possui uma sonolência ofensiva assustadora. 

Seu lado de campo não é muito ameaçado pela constante presença dele na intermediária, limitando-se a marcação. 

Além do mais, as laterais são o ponto forte de Muricy Ramalho neste início de temporada, essencialmente pela consolidação de Mariano e Carlinhos.


Muricybol

Com um meio de campo pouco criativo, um tanto quanto amarrado pelo próprio treinador, o desafogo são as margens do campo.

Sem o lado esquerdo o time se delimita aos ataques frenéticos de Mariano.

Com essa previsibilidade e pouca variação de possibilidades, o time adversário compreende a estratégia, e passa a tocar mais a bola, de modo que procura espaços proveitosos para construir lances de gol. 

O Fluminense, pelo contrário, sente a carência de um toque de bola cadenciado e oportuno no meio de campo. 

Nem Conca nem Souza retém a bola no meio de campo, a permitir que a marcação os tome facilmente.

Diguinho é um dos poucos jogadores do elenco com essa característica, senão o único. 

Seu companheiro de posição, Diogo, também apareceu bem, em jogo que o tricolor não teve arremates estufando as redes.


Ataque de Primeira

Na frente, Rafael Moura se firma como centroavante, com cinco gols em três jogos, são espelho de um jogador em crescimento que só agora vive o auge da carreira. 

Por outro lado, se a fase do He-Man se mantém intacta, Fred começa a perder espaço no time.

Não pela ameaça da titularidade, mas pelo fato de ter que sair da área inúmeras vezes, uma vez que Muricy prefere escalar duas torres na área do que mais um jogador  de criatividade.

Tartá, que ressurgiu no fim do ano passado seria uma ótima pedida, mas nem as súplicas da torcida extinguem o “Muricybol”.

Desde os tempos de São Paulo o treinador escala torres na área e, por conseguinte, as mesmas ficam com a missão de decidir o jogo.

A bola parada é uma arma forte de Muricy, contudo, ao alterar o foco para a Libertadores, percebe-se, portanto, que só ela não será suficiente. 

Explico: Caso o Fluminense venha a perder por mais de dois gols, com que futebol Muricy reverterá à diferença?

A única saída para a sobrevida do treinador será assinar um acordo com o Sobrenatural de Almeida. 

Ou, talvez, adequar à defesa, a qual esculpe a outra vertente dos times de Muricy: Solidez.


Política Furada de Contratações

O laboratório não para, e Araújo também entrou no experimento, contra o Tricolor Suburbano. 

O experiente atacante que se dizia com a mesma velocidade do Goiás esqueceu o freio de mão puxado. 

Com uma lentidão atípica o jogador chega a ser reserva de Rodriguinho e Willians, sem poder justificar como que, por tanto tempo, o Flu correu atrás de um jogador sem grandes expectativas.

Outro equívoco no laboratório do professor Muricy, e dessa vez a parcela de culpa do professor pardal é bem menor.

Faz algum tempo que a política de contratações do Fluminense não está apenas no âmbito do Futebol. 

Os interesses esburacam o queijo do tricolor, a embalar a encomenda com alguns logotipos daqueles que só desejam o retorno de marketing.

Infelizmente esse retorno não é só dentro de campo.

E assim o Fluminense percebe que Deco, Belleti, Araújo e até mesmo Émerson são utopias. 

Pensamentos perdidos no tempo, onde as contusões eram raras e não oxidação como a ferrugem.

Até mesmo os jornalistas já gozam dessa situação. 

Ninguém mais considera as sempre ausências deles, exceto Araújo, como grande perda. 

São peçinhas que pertencem ao quebra-cabeça, no entanto foram deixadas de lado.

As verdadeiras peças não podem ser deixadas de lado. Berna, Diogo, Diguinho e Fred são nossos guerreiros, ao contrário de Cavallieri, Edinho, Valencia e Willians.

Aliás, os primeiros nomes sooam muito melhor em nossos ouvidos.

Uma melodia que ecoa como o toque de trombeta para os guerreiros.

Portanto, em meio a tantas experiências, e até algumas explosões e queimaduras com soda cáustica, o Fluminense precisará de uma formação sucinta.  

Cabe ao nosso querido professor arrumar os ingredientes para que o sonho não acabe antes do previsto.

A torcida anseia pela identidade do time, pela cara metade dos guerreiros, de confiar nos jogadores por saber toda a sua conjuntura de nuances futebolísticos.

Quanto tempo demorara para terminarem as experiências?

O grito engasgado é a ferida aberta que não deve ser fechada, mas curada por inteiro.


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"Coluna do Ricardo F.  dos Passos."


Toda terça-feira aqui no Buteco do Tricolor. Comente e sugira uma pauta para o próximo texto da coluna. Sua opinião é de grande importância.

Twitter - @rfpassos


Uma magnífica semana, todo poder do pó-de-arroz ao Fluminense.


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