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terça-feira, fevereiro 01, 2011

11 Lições que aprendi com Darío Leonardo Conca (parte 1)

Por Ricardo F. dos Passos


Sempre fui fã do futebol do pequeno gênio, desde os tempos de Vasco. 
 
Quando o Fluminense anunciou sua contratação comecei a acompanhar o futebol do argentino de perto.

Um ano após a conquista da Copa do Brasil, Conca chegou para ser coadjuvante, em um time que contava com Thiago Neves, Dodô e Washington o baixinho teria a acrescentar, porém presenciaria a festa de longe, não é mesmo?

 Talvez.

 Seria assim caso fosse um atleta comum, que não priorizasse sua melhora profissional como objetivo, contudo, Conca agigantou-se em futebol e escreveu seu nome na história do Clube das Laranjeiras. 

Em 2008, em meio à máquina galáctica, serviu os companheiros com excelência, e, de quebra, acertou o chute que decretou a vitória tricolor contra o Boca Juniors, nas semifinais da Taça Libertadores da América. 

Já em 2009, em um cenário de críticas ferrenhas ao time do Fluminense, praticamente rebaixado, o baixinho se destacava e coroou o ano com o título de Craque da Galera. 

Em 2010, confirmou o status de ídolo, ao participar de todos os jogos do campeonato brasileiro, a receber as estatuetas reluzentes de Melhor Jogador do Campeonato, Melhor Meia pela Esquerda e Craque da Galera, na cerimônia oficial da CBF.

Por conseguinte, após o término da competição, recuperou-se de uma cirurgia no joelho em menos de um mês.

Conca nos ensinou a aplaudi-lo de pé. 

Além de fornecer para nós um espetáculo inigualável, o pequenino Conca nos ensina a receita do sucesso.



1) Fale Menos, Trabalhe Mais e Melhor

Avesso às entrevistas, Conca relevou-se tímido fora das quatro linhas.

Em contraponto, ao deixar de desgastar com palavras jogadas ao vento, abdicou qualquer falsa imagem e intensificou seu trabalho. 

Paulo Coelho afirmou sobre Guerreiros da Luz da seguinte forma: “Os que prometem - e não cumprem - perdem o respeito próprio, tem vergonha de seus atos”.

Conca não especula falsas promessas para a torcida, prefere agarrar-se ao trabalho para mostrar resultados.

Quando alcança os objetivos, aí sim, deseja ser erguido para perto das arquibancadas.

 Saúda cada tricolor com carinho e paixão, se cala em um choro incontido. 

O trabalho valeu apena. 


2) Tenha um Objetivo Definido

Desde criança, Conca desejou a carreira futebolística, e contou com a ajuda da família para se realizar. 

Logo, dedicou-se ao máximo para isso. 

Os treinadores argentinos que treinaram o pequeno gênio concluíram: “Os outros temos que ensinar a fazer as jogadas, o Conca sempre soube o que fazer, bastava aprimorar o físico”.

Com metas bem estabelecidas, a vida vira um oceano de auto-realização, onde se pode velejar com tranquilidade, ciente dos próprios limites. 

O argentino sabia disso, e sempre expandia suas metas, não é a toa que chegou ao status de melhor jogador em atividade no Brasil. 

Certa vez mencionou: “Minha alegria será comemorar o título da Libertadores com essa torcida maravilhosa”.

Fica claro para perceber como o pequeno gênio sabe aonde quer chegar, e não perder tempos colocando obstáculos no caminho.
 
3) Saiba Inverter a Situação a Qualquer Momento

Quando tudo parece andar na contramão seguimos a tendência de abaixar a cabeça e aceitar o dano. 

Caso Conca tivesse pensado assim em 2009, o Fluminense amanheceria nesta terça feira a disputar a segunda divisão.

Não obstante, o argentino soube tirar proveito de sua qualidade técnica

Ao levantar a cabeça sentiu a confiança transbordar e, sem titubear, afirmou para si mesmo “O momento é agora”. 

Todo o contexto sentiu o ímpeto do jogador e, dessa maneira, o time foi contagiado com a vontade grandiosa, aquela que inverte o presente ao escrever novos mandamentos.

Sob a batuta do maestro, o Fluminense adiou o fracasso com sucessivas vitórias. 

Portanto, os embates fizeram com que todo elenco levantasse  cabeça a fim de acreditar no próprio potencial. 

Tudo e nada são próximos demais, e o pequenino sabe qual caminho escolher. 


4) Identifique a Hora de Demonstrar o que Sabe

A afobação não se faz valer, assim como a presunção.

O momento de decisão é o mais importante, logo saber que precisam de seu serviço consiste em estar pronto para retribuir as expectativas.

Conca esperou dois anos até alcançar o advento da glória. 

Durante esse tempo trabalhou com seriedade, a empurrar para escanteio a afobação e presunção - o argentino sabia que os passos deveriam ser dados um após o outro. 

Com esses passos morosos, o argentino caminhou uma distância incalculável. 

Do anonimato à idolatria. 

Soube a hora que a equipe tricolor aguardava seu futebol, e lançou mão da habilidade e criatividade para garantir o sucesso.

Saber quando decidir denota confiança no próprio potencial. 


5)  Valorize Quem te Valoriza

Recentemente li um texto do Rica Perrone, o qual citava a obsessão brasileira pelo futebol europeu. 

No cenário de futebol estrangeiro, a valorização não se manifesta como no país canarinho, a frieza para com o futebol possui grau titanicamente maior, uma vez que os estrangeiros não sentem a paixão pelo futebol como nós. 

Desse modo, valorizar quem te valoriza fora uma frase esculpida na personalidade de Conca.

Sua relação com a torcida tricolor possui um charme autêntico, de quem cresceu junto, como se um segurasse a mão do outro após cada jogada. 

Essa relação seria desgastada caso o argentino não amasse verdadeiramente a torcida, todavia ele decidiu renovar com o tricolor a ir para a Europa. 

Seria mais uma exceção do planeta bola?

Mais um Rogério Ceni, Marcos ou até mesmo Castilho, que não doariam apenas seu futebol, porém sua alma por inteiro?

Com apenas 27 anos, Darío Conca ainda poderia brilhar em muitos times Europeus, como o Lazio de Hernanes, Valencia de Nilmar, Milan de Pato e Robinho.

Mas onde está a essência de tudo?

Conca apenas silencia enquanto abraça a torcida das cores verde, branco e grená. 

Ele é diferenciado: Sabe qual amor reflete-se de modo verdadeiro.  


6) Se Doe ao Máximo 

Desde criança ouvi jogadores de futebol a reclamar da concentração, dos treinamentos e de estudar o time adversário. 

Um desses casos pode ser visto no próprio Ronaldo, o qual não se identifica com essas situações, contudo alcançou o êxito ao fazer tais atividades.

Lembro-me de uma frase de Renato Gaúcho: “Sorte e competência sempre andam juntas, pelo menos desde que nasci”.

Faz todo sentido.

Conca destoa com Ronaldo em relação a essas atividades, o argentino sabe que pode mais, ele deseja mais para si próprio. 

Logo, ele ouve as palavras de Renato Gaúcho e balbucia emocionado. 

A vida do argentino pobre de Rosario Central traduz a competência daquele que dá sempre o melhor de si; daquele que se doa ao máximo para chegar ao fim do dia e contemplar o jubileu.

A profissão não revela um peso desanimador, contudo um desafio pela auto-realização pessoal como também profissional.

Continua...
 
*Atualizado - Parte 2 aqui. 


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"Coluna do Ricardo F.  dos Passos."

Toda terça-feira aqui no Buteco do Tricolor. Comente e sugira uma pauta para o próximo texto da coluna. Sua opinião é de grande importância.

Twitter - @rfpassos

Uma magnífica semana, todo poder do pó-de-arroz ao Fluminense.

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